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  • Thamara Laila

ANSIEDADE - CARTA N°1



absolutamente nada naquela manhã indicava o que estava por vir. tudo estava normal até não estar mais. até o momento que a água jorrou pelo copo no bebedouro. até o momento que você sentiu a primeira falta de ar. de um segundo para o outro, você sabe que o dia irá escorrer por suas mãos. você se joga em qualquer canto e se deixa ali largada ao lado do amontoado de fracassos, de abandono, de lista de coisas a fazer, de culpa e da sua inutilidade. mais um aperto no peito. aos poucos, as janelas se fecham, as cores ficam fracas e você deixa a sombra se apossar. não há forças para ir contra.


ninguém percebe a diferença. acham que é preguiça, procrastinação, tpm. nessa hora vale qualquer outro nome para evitar o diagnóstico certo. cada segundo é aterrorizante, pois você só quer sair disso, na verdade, nem queria ter entrado. mas, cá estamos, mãos frias e formigamentos. come compulsivamente. já não sabe que episódio está passando, nem que série finge ver. é assustadora essa sensação de estar totalmente cheia e, ainda assim, completamente vazia. você só quer que o dia termine, mas a luz lá fora vai caindo e sua mente parece que vai despertando ainda mais.

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passado - presente - futuro - passado - futuro - presente. se não bastasse tudo o que sente, chega o "como você tem coragem de sofrer por esse problema com todos os problemas do mundo?" e então, você se sente culpada pelo que sente, por seus privilégios. e se sente fraca por sentir tudo isso quando tem gente passando por bocados muito piores. como pode ter espaço para comparação até na dor? não sei, mas tem... e você se sente mal por estar mal pois você não deveria estar mal porque perante ao mundo você tem motivos para estar bem mas você está mal mas tem gente pior então você não pode tá mal. mas você está. você só quer dormir. o que custa fechar os olhos e apagar? um choro descontrolado surge por nenhum motivo aparente e, ao mesmo tempo, por todos os motivos possíveis.


parte de você espera que esse dia termine como uma fábula. que em algum momento surgirá uma bela lição de moral que fará tudo fazer sentido. mas a lição não chega, o choro não para, a dor não diminui. porque é isso. tem dias que apenas são.

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