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  • Thamara Laila

A ESTRADA CONTINUA


A iluminação da pequena sala vinha, apenas, da porta de vidro que dava para o estacionamento. As cadeiras estavam vazias, a sala gelada. Ela sentou na segunda cadeira perto da porta. Encarou os pés e mexia freneticamente nos cabelos. Olhar ansioso, boca seca. Coração acelerado, apertado. Uma menina cheia de esperança com um papel branco nas mãos.


Há dois anos, ela tinha conquistado o primeiro degrau do seu maior sonho para ser repórter em um grande veículo. Estava com a carta de admissão na mão, esperando os demais estagiários chegarem para o exame. Cada detalhe daquela sala importava demais. Só ela sabia o quanto tinha lutado para estar ali. Aquela menina da Baixada Fluminense, que sempre ouviu que “só entrava no jornalismo os indicados”. Aquela menina tinha conquistado uma vaga. E, pela primeira vez, sentia-se orgulhosa.


Cerca de dois anos depois, ela está na mesma sala, passando pela mesma loucura de sentimentos. Mas há algo mais perturbador dessa vez. Aquela menina não tem mais uma lista interminável de objetivos, não tem mais a vontade de explorar cada detalhe daquela empresa, não está com as mãos suando por entrar na (tão sonhada) redação. Aquela menina não carrega um papel de começo, e sim, de fim. O que aconteceu? A vida.


“Os sonhos mudam”, todos dizem isso. Mas ela tinha tanta certeza. Foi criada para sonhar com uma vida profissional. Os planos eram exatos: ser uma grande repórter, mudar vidas, tocar vidas, ser bem sucedida, crescer profissionalmente, viajar o mundo contando a história por trás de suas grandes histórias. O que aconteceu? A realidade.


Mais difícil que sonhar. Mais difícil que realizar um sonho. É admitir que aquele sonho acabou. É engolir as frustrações, é assumir que os planos não saíram como planejado. Há meses, ela estava lutando. Tentando manter a chama do sonho viva. Mas a chama apagou. E, agora? O que acontece? Novamente, a vida.


A vida mostrando que somos capazes de mudar, de nos recriar. A vida mostrando que todos podem ter mais de um sonho (incrível). A vida te empurrando para algo melhor. A vida te tirando da zona de conforto. Ei, menina. Ergue essa cabeça, limpa essas lágrimas, respira fundo. Continue acreditando em você e se joga nesse mundo. A vida é isso. Ela aperta, empurra, estica, derruba, levanta.


A vida acontece (você querendo ou não). Esse sonho acabou, mas a estrada continua. Não fica sentada na cadeira. Levanta, sacode a poeira e vá à luta. Em busca de que? Agora, isso não importa tanto. Você não precisa ter tudo planejado para tomar uma atitude. Vai sem planos. Ultrapasse seus limites, conheça novas culturas. Vai, não pare para descansar. Vai ofegante, vai com os olhos inchados. Vai conquistar o mundo sem listas. Vai com coragem. Aposto que você descobrirá algo ainda mais incrível no caminho. Vai com fé. Como sempre foi.


E se a estrada ficar muito difícil, lembre-se: eu ainda acredito (de olhos fechados) em você.


Texto escrito 30 de agosto de 2015

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